Isto foi declarado à emissora de televisão GloboNews pelo relator deste conselho, Renan Calheiros, que também confirmou que a lista inclui crimes de responsabilidade, contra a saúde pública e mesmo crimes contra a humanidade, além das condutas previstas no Código Penal.
‘Certamente teremos mais de 40 réus. Somente em relação ao Presidente da República, já selecionamos 11 delitos’, salientou o senador.
O relatório final da CPI não propõe acusações diretas ao judiciário, mas imputações.
Este procedimento é semelhante ao de uma investigação policial, na qual as conclusões da investigação são enviadas ao Ministério Público, que as analisa e decide se deve apresentar uma queixa formal junto ao Judiciário.
O portal de notícias G1 alega que no caso Bolsonaro a acusação deve ser apresentada à Procuradoria Geral da República, que, pela Constituição, tem a prerrogativa de apresentar acusações criminais contra o presidente.
Calheiros disse que outros órgãos também receberão o relatório final.
‘Todos aqueles que devem ser cobrados, nós cobraremos. Nós, entretanto, enviaremos as acusações, estas acusações, para diferentes instâncias do Ministério Público Federal’, disse o legislador.
Ele especificou que só serão enviadas ao procurador geral aquelas que tiverem a jurisdição especial apropriada.
Conforme estabelecido pela legislação das comissões de inquérito, a Procuradoria Geral tem um prazo de 30 dias para avaliar o relatório final, que será lido no dia 19 de outubro e votado no dia seguinte.
O relator também disse que a partir de 15 de outubro ele terá o documento final pronto e falará individualmente com cada membro da comissão sobre o texto.
A CPI foi criada em abril e desde esse mês tem escutado ministros, ex-funcionários, pesquisadores, médicos, especialistas, empresários, parlamentares e qualquer pessoa relacionada ao desempenho do governo diante da pandemia, que até hoje já custou mais de 600.000 vidas e causou mais de 21 milhões de infecções.
Nas sessões da diretoria parlamentar, surgiram anomalias para impor a prescrição de medicamentos ineficazes contra a Covid-19 e ações irregulares que levam à percepção de corrupção na negociação de vacinas contra o vírus.
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