Essa foi a decisão central da 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Clima (COP27), realizada em novembro passado no balneário egípcio de Sharm El Sheikh, explicou à Prensa Latina Pedro Luis Pedroso, representante da ilha junto à ONU.
Em nome do G-77 mais China, Pedroso participou esta semana da primeira reunião de coordenação do Comitê de Transição do Fundo de perdas e Danos, realizados na cidade de Luxor, no sul.
Na reunião defendemos a união dos membros daquela comissão, que por sua vez representam estados do grupo, frisou.
Foi justamente a nossa união que nos permitiu promover a criação do fundo na COP27, disse o diplomata, que alertou para as tentativas dos países ricos de paralisar o assunto.
Os países desenvolvidos obviamente estão tentando amenizar a questão porque são eles que teriam que pagar, de acordo com as exigências da COP27 e às suas responsabilidades ser os principais emissores de gases poluentes, destacou.
“Na verdade, a partir desta primeira sessão, as diferentes posições entre um e outro grupo”, destacou.
Diante dessa situação, garantiu que não será um processo fácil, mas complexo como quase todos os debates da convenção de câmbio clima e sobre financiamento.
Pedroso explicou que à reunião de Luxor seguir-se-ão outras para apurar o montante e o funcionamento do fundo antes da celebração da COP28, em novembro próximo, em Dubai.
Os detalhes serão elaborados por uma comissão formada por 24 países, três deles da América Latina e o Caribe.
Na reunião de Luxor, também defendemos que esse processo esteja vinculado à reforma do sistema financeiro internacional, especialmente das instituições decorrentes dos acordos de Bretton Woods de 1944, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, disse ele.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou no passado a uma reforma profunda porque não garantem um mecanismo multilateral para proteger os países em desenvolvimento, lembrou.
De acordo com um relatório recente da Loss and Damage Collaboration, um grupo formado por mais de 100 pesquisadores, 55 das economias mais vulneráveis ao clima sofreram perdas de mais de 500 bilhões de dólares de 2000 a 2020.
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