O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, reconheceu a importância da sessão e afirmou que há um entendimento colegiado de que a solução deve ser elaborada em conjunto, sem votos divergentes, para uma questão que ele descreveu como “especialmente difícil”, por envolver muitos interesses.
“Queremos enviar uma mensagem muito clara ao Rio de Janeiro e a todo o país da importância que estamos dando à questão da segurança pública, que hoje está no topo das prioridades do Brasil em termos de preocupação da população e, consequentemente, também do nosso tribunal”, disse ele.
Ele destacou a preocupação do tribunal com a segurança pública, a letalidade policial, a necessidade de recuperar territórios ocupados por organizações criminosas e a investigação de crimes interestaduais, entre outros pontos.
Mas ele ressaltou que, devido à gravidade da situação, é necessário ajustar as diferentes perspectivas apresentadas pelos 11 membros da Suprema Corte.
O ministro Edson Fachin, relator da chamada ADPF das Favelas em razão do tipo de ação (descumprimento de preceito fundamental), agradeceu a participação dos demais membros da corte na obtenção de uma solução conjunta em um processo estrutural de grande magnitude.
Ele aludiu ao fato de que é essencial que o tribunal conclua o diálogo interno para chegar a um consenso.
“Acho que estamos de fato nos aproximando, os 11 ministros, de um momento um tanto histórico, um julgamento a 22 mãos”, disse ele.
O julgamento teve início em fevereiro e foi suspenso após o voto do relator que propôs a homologação parcial do plano apresentado pelo governo estadual.
A ação é usada para contestar violações de direitos fundamentais garantidos pela Constituição.
Ela foi inserida em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro, organizações de direitos humanos e movimentos sociais.
Essas organizações e o partido estão pedindo que o STF reconheça a situação de graves violações de direitos cometidas pelas forças de segurança nas favelas do Rio de Janeiro (um grupo de projetos habitacionais de baixa renda construídos de forma irregular e precária).
No ano passado, 699 pessoas foram mortas pela polícia no Rio, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Por dia, foram registradas duas vítimas de intervenção policial no estado.
No Brasil, em 2024, houve 6.121 mortes de policiais, ou 17 mortes por dia, uma queda de 4% em relação ao ano anterior.
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