Durante todos esses dias de protestos massivos, organizações não governamentais como a Temblores ONG contam e documentam as vítimas da violência policial, que somam cerca de três mil, incluindo mais de 60 mortos.
Desde então, diversos acontecimentos se destacam neste mês de convulsão social:
28 de abril: Começa a greve contra a reforma tributária proposta em 15 de abril pelo governo Duque, que propôs impostos sobre produtos básicos da cesta básica, aumento do custo da gasolina, ampliação da base de cálculo do imposto de renda, entre outros.
30 de abril: Após três dias de mobilizações massivas, Duque ordenou ao então Ministro da Fazenda Alberto Carrasquilla que redigisse um novo texto do projeto de lei. Até essa data, houve quatro mortes, mais de 100 feridos pelas ações da polícia e centenas de prisões arbitrárias.
2 de maio: Diante dos protestos incessantes e crescentes, o presidente ordenou a retirada da reforma tributária.
3 de maio: o ministro Carrasquilla renunciou após o anúncio da retirada do refutado projeto de reforma fiscal.
6 de maio: Enquanto os protestos e a violência policial continuam, homens desconhecidos armados e supostamente apoiados pela polícia atentaram contra a vida de manifestantes pacíficos no Viaduto da cidade de Pereira, onde Lucas Villa foi ferido por oito tiros.
9 de maio: O Conselho Regional Indígena de Cauca, que apóia a greve, denunciou um ataque armado no sul de Cali que deixou oito feridos a tiros.
Naquela noite, Duque deu instruções aos ministros do Interior e da Defesa, Daniel Palacios e Diego Molano, para militarizar Cali, capital do Vale do Cauca, e ‘garantir hoje a maior aplicação das capacidades da Força Pública’.
10 de maio: Após 12 dias de mobilizações massivas na Colômbia e repressão policial e paramilitar, com saldo de 47 mortes, segundo denúncias, o governo e o Comitê Nacional de Greve realizaram a primeira reunião sem chegar a um acordo.
11 de maio: Lucas Villa morre após vários dias em estado grave.
13 de maio: a Ministra das Relações Exteriores da Colômbia Claudia Blum renuncia em meio a críticas à sua gestão e à política externa do país. No mesmo dia, senadores da oposição denunciaram o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe por incitar à violência no contexto da greve nacional.
17 de maio: o presidente Duque ordenou que a força pública implantasse sua ‘capacidade operacional máxima’ para recuperar a mobilidade nas estradas bloqueadas.
19 de maio: um projeto de reforma da saúde na Colômbia, apoiado pelo governo Duque, foi arquivado após a votação dos legisladores no Congresso (bicameral).
20 de maio: Figuras públicas, intelectuais, políticas e até torcedores de times locais apoiaram a rejeição da Confederação Sul-americana de Futebol ao pedido da Colômbia de adiar a Copa América 2021.
22 de maio: Inúmeras vozes criticaram o editorial da Revista Semana contra o senador e candidato à presidência Gustavo Petro, que o governo e afins tentam responsabilizar pela convulsão social.
24 de maio: Em debate sobre a moção de censura, senadores, vítimas e testemunhas da violência no contexto da greve responsabilizaram o ministro Molano pela brutalidade da força pública contra as manifestações.
25 de maio: O Comitê Nacional de Greve acusa o governo de Iván Duque de postergar as negociações. Nesse mesmo dia, as autoridades de imigração impediram a entrada de Juan Grabois na Colômbia, integrante de uma delegação argentina que chegou ao país para verificar denúncias de violações de direitos humanos.
27 de maio: A maioria no Congresso se recusa a moção de censura contra o ministro da Defesa, Diego Molano.
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